PONTA DE PEDRAS.

PONTA DE PEDRAS.

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Praia de Ponta de Pedras CRÔNICA DE EMANUEL TEIXEIRA FIGUEIRA*
pontas de pedra
Ponta de Pedras

No feriado da Padroeira em 2015, eu e minha namorada resolvemos sair de casa.

Não estávamos bem.

Eu com uma dor incômoda no peito que me levava a rezar para que fossem apenas gases. Ela insatisfeita por alguma coisa, que eu atribuo como causa eu não tê-la acompanhado à Missa na Matriz.

O dia para mim havia amanhecido bom. Pela manhã, como forma de oração e vaidade fiz um texto em homenagem à Virgem da Conceição. Um texto que representava a minha oração, um pouco da minha crença no divino e o meu desejo de contribuir para uma reflexão sobre fé, sobre esperança e sobre a vida.

Agora, após a aventura na estrada de chão, com aclives e declives abruptos, poeira e cuidado, estamos na belíssima praia de Ponta de Pedras, que nesta época do ano, para mim, é a melhor.

Vento, rio que parece oceano, areia quase alva e sol forte, escaldante, que faz com que as lufadas de ventos cheguem a nós mais morna.

De repente, uma garça branquíssima passa voando a nossa frente. Mesmo contra o vento ela flana soberba enfeitada pelo brilho do sol.

Uma folha seca cai sobre a nossa mesa e o seu baque simples, leve e sem motivo se transforma em poesia tamanho é o nosso enlevo, a nossa alegria.

Poucos, hoje resolveram se aventurar e vir até aqui. Os que vieram, tenho certeza, voltarão aos seus lares mais tranqüilos, mais unidos e mais crentes de que a vida é bela, que o mundo é um paraíso , que nós precisamos viver um dia de cada vez se quisermos usufruir de tudo de belo que aqui existe e que, sem saber o dia nem a hora, deixaremos.

A água para o banho aventureiro está distante. Os mais arrojados atravessam a distância entre as barracas sob as árvores, passam pelas pedras que denominam o lugar para alcançarem o refrigério nas águas turvas do Tapajós.

Emanuel BlogNo caminho para cá comprei um coco bem verde, tomei a metade da água que ele continha, e, ao aqui chegar, adicionei whisk e comecei a bebericar sorvendo lentamente essa mistura inusitada, apreciando delicadamente esta paisagem inesquecível, encantadora…

E, mais uma vez eu levando os olhos para ver o grande rio brigar com o vento e lá, na fímbria do horizonte, como diz Castro Alves, tentar vislumbrar vultos de melhores dias.

Ao fundo, uma dupla sertaneja canta “fire” ao estilo mashup…

Olha novamente o rio imenso, o céu azul, nublado que promete uma chuva que não vem, despeço-me da beleza, e, vou-me embora.

Esta era a minha chance. Vivi-a, graças a Deus!

Observação: As fotografias são do meu arquivo. Em passado recente também levei minha namorado a esse belo lugar…